40 escritoras para você ler na quarentena e fora dela

40 escritoras para você ler na quarentena e fora dela

por Pillar Bu* 

A pandemia do Covid-19 está nos colocando em situações completamente adversas. Para tentar conter o contágio e o avanço do coronavírus o indicativo de quarentena é a orientação dos órgãos de saúde. Sabemos que nem todo mundo pode parar, mas se você estiver em casa (trabalhando ou não) ganhe um tempinho lendo mulheres. Aliás, essa é uma prática que você deveria seguir sempre.

Separamos 40 livros escritos por elas que você pode ler a qualquer momento e fortalecer as manas. Em diferentes regiões do mundo, mas ao alcance dos seus olhos.

Fique seguro, beba muita água, se alimente bem, siga as orientações, cuide da saúde mental e viva la revolución. O futuro será feminista:

 

Latino-americanas

1 – Garotas Mortas – Selva Almada (Argentina)

Sinopse: Três femincídios. Três casos cujas notícias chegam desordenadas: uma rádio as anuncia, um pequeno jornal provinciano dá algum destaque, alguém se lembra dos ocorridos em uma conversa. Três crimes “menores” enquanto a Argentina celebrava o retorno da democracia. Três mortes sem culpado. Com o tempo, essas histórias se convertem em uma obsessão particular da autora, o que a leva a uma investigação bastante atípica. Um interessante relato de como a literatura resgata essas mulheres e não deixa que as esqueçamos.

2 – Cartas para minha mãe – Teresa Cárdenas (Cuba)

Sinopse: Uma menina escreve cartas para sua mãe morta. Através delas ficamos sabendo que teve que ir morar com a tia e as primas, que não gostam dela. Não se cansam de lembrar que deveria fazer um esforço para disfarçar sua cor e ficar mais parecida com uma pessoa branca. Sua avó está sempre desgostosa, com ela e com a vida em geral. Mas a autora das cartas começa lentamente a descobrir um mundo além de seus problemas familiares.

3 – O país das Mulheres – Gioconda Belli (Nicarágua)

Sinopse: Depois de sofrer um atentado em praça pública, a brilhante Viviana Sansón – presidenta de Fáguas – acorda na semiobscuridade de um galpão. Ali, Viviana vai se deparando com objetos que perdeu ao longo da vida. Cada objeto faz reviver nela uma lembrança. Pelas memórias de Viviana, vamos conhecendo a história fabulosa do Partido da Esquerda Erótica (PEE) e de suas integrantes, todas convictas de que o poder exercido pelas mulheres, com humor e amor, pode conquistar o que em séculos o poder masculino não alcançou.

4 – Discoteca Selvagem – Cecília Pavon (Argentina)

Sinopse: A poesia de Cecilia Pavon é atravessada por aquilo que o mundo literário geralmente expulsa: a vida cotidiana em seus aspectos mais banais. Pavón se locomove pela cidade da mesma maneira que traslada pela poesia, patinando entre o esquisito e a ternura, pedalando para encontrar amigos, distraindo-se com as cores de uma loja de doces, ao mesmo tempo que reflete sobre o próprio ato de escrever e sua banalidade também mágica.

5 – Ninguém me verá chorar – Cristina Rivera Garza (México)

Sinopse: Joaquín Buitrago, ex-fotógrafo de prostitutas e retratista no sanatório de La Castañeda nos anos 1920, acredita ter identificado numa das pacientes, Matilda Burgos, uma prostituta que ele encontrara anos atrás num dos prostíbulos da capital mexicana, La Modernidad. Joaquín descobre que Matilda foi uma moça de campo, adotada por um tio, doutor, e que levava uma vida tranqüila até que Cástulo, um jovem revolucionário, escondeu-se das autoridades em seu quarto.

6 – Jamais o fogo nunca – Diamela Eltit (Chile)

Sinopse: Com um título que provém de um enigmático verso de César Vallejo, o romance se constitui pela voz, em primeira pessoa, de uma mulher cujo dado biográfico essencial é ter sido uma sobrevivente da luta política no período do regime militar, luta que trouxe consigo a delação, o cárcere e a perda de um filho. A obra parte desse pano de fundo histórico e pessoal para seguir em direção ao microcosmo dessa voz e examinar o tecido medular das subjetividades que trançaram as utopias e sentidos do século XX, encarando a condição precária dos corpos excedentes desse tempo.

7 – Hot Sul – Laura Restrepo (Colômbia)

Sinopse: María Paz é uma jovem latina que, como muitas outras, veio para a América em busca de um sonho. Ao ser acusada de matar o marido e sentenciada a passar a vida atrás das grades, ela precisa manter acesas as esperanças enquanto se esforça para provar sua inocência. Mas os perigos da penitenciária não são os únicos obstáculos em seu caminho: a liberdade pode lhe forçar a encarar um horror ainda maior que está à sua espera do outro lado das muralhas da prisão ― um horror que não deixará nada impedi-lo de tomá-la para si. Poderá María Paz sobreviver a essa dupla ameaça em uma terra onde perigo e desespero estão constantemente no encalço enquanto felicidade e segurança parecem sonhos inalcançáveis?

Eua/Europa

1 – A guerra não tem rosto de mulher – Svetlana Aleksiévitch (Rússia)

Sinopse: A história das guerras costuma ser contada sob o ponto de vista masculino: soldados e generais, algozes e libertadores. Trata-se, porém, de um equívoco e de uma injustiça. Se em muitos conflitos as mulheres ficaram na retaguarda, em outros estiveram na linha de frente. É esse capítulo de bravura feminina que Svetlana Aleksiévitch reconstrói neste livro absolutamente apaixonante e forte. Quase um milhão de mulheres lutaram no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, mas a sua história nunca foi contada. Svetlana Aleksiévitch deixa que as vozes dessas mulheres ressoem de forma angustiante e arrebatadora, em memórias que evocam frio, fome, violência sexual e a sombra onipresente da morte.

2 – Mamãe & eu & mamãe – Maya Angelou (EUA)

Sinopse: Último livro publicado pela poeta e ativista, Maya Angelou. Mamãe & Eu & Mamãe descreve seu relacionamento conturbado com a mãe, a empresária Vivian “Lady” Baxter, com quem voltou a morar aos 13 anos, depois de dez sob os cuidados da avó paterna. É a jornada de uma mãe e filha em busca de reconciliação assim como uma reveladora narrativa de amor e cura. “

3 – Intérprete de Males – Jhumpa Lahiri (Inglaterra)

Sinopse: Nos nove contos que compõem o livro, o leitor verá sempre certo incômodo, certa maneira de estar num lugar de um modo desconfortável, uma espera sem nome e sobressaltos do entendimento desse processo. E é com esse olhar – que sempre vai e volta entre o espaço de estar e o espaço de querer estar – que Jhumpa trará histórias tocantes, nem sempre pelo enredo – que faz da simplicidade seu trunfo – mas certamente pela delicadeza de sua narrativa, e sobretudo pelo olhar arguto para tudo que revele um sentimento, uma tensão, uma espera.

 

 

 

4 – Ensinando a transgredir – bell hooks (EUA)

Sinopse: Para Hooks, ensinar os alunos a “transgredir” as fronteiras raciais, sexuais e de classe a fim de alcançar o dom da liberdade é o objetivo mais importante do professor. Repleto de paixão e política, associa um conhecimento prático da sala de aula com uma conexão profunda com o mundo das emoções e sentimentos. Segundo bell hooks, “a educação como prática da liberdade é um jeito de ensinar que qualquer um pode aprender”.

5 – Poemas – Wisława Szymborska (Polônia)

Sinopse: Wislawa Szymborska viveu desde menina em Cracóvia, cidade situada às margens do Vístula, no sul da Polônia. O fato de ter permanecido a vida inteira no mesmo lugar diz muito sobre essa poeta conhecida por sua reserva e extrema timidez. Contudo, embora os fatos de sua vida tenham permanecido privados, quase secretos, seus poemas viajam pelo mundo. Belíssima coletânea de poemas que aborda temas contundentes.

6 – Kindred – Laços de Sangue – Octávia Butler (EUA)

Sinopse: Em seu vigésimo sexto aniversário, Dana e seu marido estão de mudança para um novo apartamento. Em meio a pilhas de livros e caixas abertas, ela começa a se sentir tonta e cai de joelhos, nauseada. Então, o mundo se despedaça. Dana repentinamente se encontra à beira de uma floresta, próxima a um rio. Uma criança está se afogando e ela corre para salvá-la. Mas, assim que arrasta o menino para fora da água, vê-se diante do cano de uma antiga espingarda. Em um piscar de olhos, ela está de volta a seu novo apartamento, completamente encharcada. É a experiência mais aterrorizante de sua vida… até acontecer de novo. E de novo.

 

Brasileiras • Prosa

1 – Um Exú em Nova York – Cidinha da Silva

Sinopse: No livro de contos Um Exu em Nova York, Cidinha da Silva apresenta uma perspectiva contemporânea e ficcional do cotidiano, sobre temas como política, crise ética, racismo religioso, perda generalizada de direitos (principalmente por parte das mulheres), negros e grupos LGBT. A autora considera que esses são marcadores importantes do século XXI e classifica a obra como um livro-dínamo.Ela parte das tensões provocadas pela percepção das religiões de matrizes africanas para desmistificar ideias negativas que são difundidas sem critérios na sociedade.

 

2 – A telepatia são os outros – Ana Rüsche

Sinopse: Após a perda da mãe e sua demissão depois de quinze anos de trabalho em uma clínica de fisioterapia, Irene vê sua vida mudar significativamente aos 50 anos. O luto e a falta que sente da rotina fazem com que se sinta estagnada, perdida diante das decisões que precisa tomar para seguir adiante, até que uma súbita viagem ao interior do Chile põe Irene em contato com conhecimentos ancestrais de uma pequena comunidade rural e em meio a uma disputa internacional: um cientista americano está tentando patentear a telepatia! Entre conexões telepáticas, empanadas e intrigas, Irene terá pela frente uma jornada onde autoconhecimento e empatia se misturam quando se pode convidar os outros a partilhar de sua própria mente, e onde o poder da tecnologia sobre os modos de conexão entre as pessoas na era da internet é posto em xeque.

 

3 – Ponciá Vicêncio – Conceição Evaristo
Sinopse:
A história de Ponciá Vicêncio descreve os caminhos, as andanças, as marcas, os sonhos e os desencantos da protagonista. A autora traça a trajetória da personagem da infância à idade adulta, analisando seus afetos e desafetos e seu envolvimento com a família e os amigos. Discute a questão da identidade de Ponciá, centrada na herança identitária do avô e estabelece um diálogo entre o passado e o presente, entre a lembrança e a vivência, entre o real e o imaginado. Um belo romance de formação que retrata as subjetividades diaspóricas e negras.

 

4 – Metade Cara, Metade Máscara – Eliana Potiguara

Sinopse: ‘Metade Cara, Metade Máscara’ fala de amor, de relações humanas, paz, identidade, histórias de vida, mulher, ancestralidade e famílias. É uma mensagem para o mundo, uma vez que descreve valores contidos pelo poder dominante e, quando resgatados, submergem o self selvagem, a força espiritual, a intuição, o grande espírito, o ancestral, o velho, a velha, o mais profundo sentimento de reencontro de cada um consigo mesmo, reacendendo e fortalecendo o eu de cada um, contra uma auto-estima imposta pelo consumismo, imediatismo e exclusões social e racial ao longo dos séculos.

5 – Assim na terra quanto embaixo da terra – Ana Paula Maia

Sinopse: Uma colônia penal isolada – um terreno com um histórico tenebroso de assassinato e tortura de escravos –, construída para ser um modelo de detenção do qual preso nenhum fugiria, torna-se campo de extermínio. Espécie de capitão do mato/carcereiro, Melquíades é o algoz dos presos, caçando e matando-os como animais, apenas por satisfação pessoal. Os presos, cada qual com sua história, estão sempre planejando a própria fuga, sem saber se vão acabar mortos pelos guardas ou pelo que os espera do lado de fora da Colônia.

6 – Se deus me chamar não vou – Mariana Carrara

Sinopse: Quem vai te contar essa história é uma criança de 11 anos. O olhar fresco e bem-humorado de quem ainda vê a vida como mistério está aqui, mas vá por mim: não subestime a solidão de Maria Carmem. A aprendiz de escritora, enfrentando as angústias da “pior idade do universo”, irá te provar que é possível, sim, que uma menina seja mais solitária do que um velho. É assim, toda quebrada por dentro, que ela desconstrói o mundo diante de si, o mundo adulto que cria regras e não as obedece, que que ela junta e faz pergunta e faz poesia com tudo o que se ergue e desmorona, os pais, deus, o amor, o corpo, a morte, o difícil que é entender o amor dos outros.

7 – Amora – Natália Borges Polesso

Sinopse: Seria pouco dizer que os contos de Amora versam sobre relações homossexuais entre mulheres. Também estão aqui o maravilhamento, o estupor e o medo das descobertas. O encontro consigo mesmo, sobretudo quando ele ocorre fora dos padrões, pode trazer desafios ou tornar impossível seguir sem transformação. É necessário avançar, explorar o desconhecido, desestabilizar as estruturas para chegar, enfim, ao sossego de quem vive com honestidade.

Brasileiras • Poetas

 

1 – Um buraco com meu nome– Jarid Arraes

Sinopse: Em seu livro de estreia na poesia, a escritora e cordelista Jarid Arraes dedica seus poemas àqueles que não encontram matilha. Àqueles que procuram um buraco para chamar de seu – talvez toca, talvez a cova íntima que nem sempre encontramos quando precisamos de abrigo. Nas quatro partes do livro – Selvageria, Fera, Corpo Aberto e Caverna – Jarid cava fundo, com unhas e presas, em busca desse lugar. Em “Um buraco com meu nome” – que também inaugura o selo literário Ferina, voltado à descoberta de autoras brasileiras – a política ganha contornos líricos, mas continua presente em cada verso.

2- Água Indócil – Anna Clara de Vitto

Sinopse: Como o mar, as imagens destes poemas são ondas que molham nossos olhos de nostalgia, água salgada que enche nossas bocas. São ondas rebeldes que ameaçam destruir todas as estruturas. Poemas que nossos corpos suportam porque conhecemos as pancadas. Anna Clara de Vitto não escreve águas fáceis e doces. Memória e morte dialogam com uma menina e com uma mulher que trocam olhares compreensivos. Sabem uma da outra. Contam histórias difíceis, mas que na estética e no toque de Anna Clara de Vitto revelam uma grande beleza. Neste livro, afogar-se e naugrafar é desejável. Não há razão para temer. O momento de voltar a superfície chega. E com ele, a resiliência. Poemas políticos, punhos fechados de mulher. Escrita ferina. Então, toda a trajetória se fecha perfeitamente em uma obra coesa.

 

3 – Um corpo Negro – Lubi Prates

Sinopse: Finalista e ganhador de diversos prêmios, Um corpo negro conta, poeticamente, o processo de reconhecimento como negra, da autora, a partir do que se manifesta fisicamente no corpo: pele, cabelo, boca e nariz, até as estórias que ouve sobre seus ancestrais e as próprias experiências desta identidade, desconstruindo a representação do negro, ainda atual, como alguém inferior. a história de Lubi Prates é a história de muitos. Um livro essencial.

 

4 – Sangria – Luiza Romão

Sinopse: Sangria conta a história do Brasil pela perspectiva de um útero. 28 poemas, 28 dias, como num ciclo menstrual narram as violências sofridas por mulheres sem rodeios. Versos cheios de sangue, porrada e revide revelam a poesia em estado de lance, que como catarse corre feito rio. Marcada em vermelho, a lírica de Luiza Romão revela um legado de lutas travadas por mulheres que não se deixam assujeitar e conclama que nos movimentemos nos dias atuais. A autora ee uma importante expoente da poesia oral e dos slams. Deixe-se surpreender.

 

5 – Uma casa se amarra pelo teto – Viviane Nogueira

Sinopse: Uma casa se amarra pelo teto é também um exercício sobre a palavra. Utilizando os procedimentos de recolha e montagem, a poeta nos entrega essa primeira obra, que deixa a ver em cada leitura a inscrição do corpo, seja o seu próprio, seja o do poema, e, sobretudo, conjuga a casa com a experiência poética. Construir um livro é o mesmo que construir uma casa?

6 – Um útero é do tamanho de um punho – Angélica Freitas

Sinopse: Um útero é do tamanho de um punho reúne poemas escritos a partir de um tema central: a mulher. Uma das vozes mais destacadas da geração, Angélica Freitas subverte as imagens absolutamente gastas do que se espera do gênero feminino ― anunciadas em capas de revistas e em vitrines de lojas de departamentos ―, e joga luz ― com inteligência, sagacidade e senso de humor aguçado ― sobre o nosso tempo. Um livro arrebatador de luta

7 – Querem nos calar: poemas para serem lidos em voz alta – Organização Mel Duarte

Sinopse: A antologia reúne poesias de 15 mulheres slammers de todas as regiões do Brasil. Os chamados poetry slams chegaram ao Brasil pelas mãos de Roberta Estrela D’Alva, em 2008, e são batalhas de poesia falada com temática livre que tem como destaque temas como racismo, machismo e desigualdade social. Com prefácio de Conceição Evaristo, o livro conta também com ilustrações de Lela Brandão. Autoras: Anna Suav, Bell Puã, Bor Blue, Cristal Rocha, Dall Farra, Danielle Almeida, Laura Conceição, Letícia Brito, Luiza Romão, Luz Ribeiro, Mariana Felix, Meimei Bastos, Negafya, Roberta Estrela D’Alva, Ryane Leão.

Orientais

1 – Os Excluídos – Yiyun Li (China)

Sinopse: Brilhante e revelador, este surpreendente romance de estreia da premiada Yiyun Li é ambientado na China do fim dos anos 1970, quando o país começa a vislumbrar um futuro além da sombra da Revolução Cultural. A história se passa justamente durante esse período dramático e turbulento, uma era que abriu caminho para o levante da Praça da Paz Celestial, dez anos depois. Tensões, violências e perspectivas de futuro conectam os personagens nesse romance de tirar o fôlego.

 

2 – Querida Kombini – Sayaka Murata (Japão)

Sinopse: Aos 36 anos, Keiko Furukura continua no trabalho da juventude em uma loja de conveniência e nunca se envolveu romanticamente. Ela é feliz assim, mas desde pequena é considerada estranha ― sua família e amigos se perguntam desesperadamente como ajuda-la a ser uma pessoa normal. Mas é na konbini, com suas regras estritas para os funcionários e uma dinâmica precisa de funcionamento, que Keiko encontra o seu lugar. Observando as recomendações dos gerentes e copiando os trejeitos e modos de vestir e falar de seus colegas, ela finalmente se sente uma peça no mecanismo do mundo.

3 – Sukiyaki de domingo – Bae Su-Ah (Coreia do Sul)

Sinopse: Primeiro romance sul-coreano com tradução vertida diretamente do idioma original, o livro se envereda por um lado underground da Coreia do Sul, definitivamente destoante de glamour capitalista embutido na reluzente imagem de Tigre Asiático. Com estrutura fragmentária, a narrativa de forte crítica social mostra como a falta de dinheiro, ou a busca por ele, afeta o cotidiano ordinário – por vezes desembocando na violência – de uma série de personagens, entre vagabundos, desempregados, jovens atrás de um “bico” e outras figuras igualmente marginalizadas pela sociedade.

4 – A vegetarina – Han Kang (Coreia do Sul)

Sinopse: “…Eu tive um sonho”, diz Yeonghye, e desse sonho de sangue e escuros bosques nasce uma recusa vista como radical: deixar de comer, cozinhar e servir carne. É o primeiro estágio de um desapego em três atos, um caminho muito particular de transcendência destrutiva que parece infectar todos aqueles que estão próximos da protagonista. A vegetariana conta a história dessa mulher comum que, pela simples decisão de não comer mais carne, transforma uma vida aparentemente sem maiores atrativos em um pesadelo perturbador e transgressivo.

 

5 – Tsugumi Banana Yoshimotoda (Japão)

Sinopse: Deixar para trás o lugar onde se viveu durante toda a vida não é fácil. Podemos abandonar nossa terra natal, mas a terra natal nunca sai de nós. É esse o sentimento que vem experimentando Maria Shirakawa, a personagem-narradora deste Tsugumi. Recém-instalada em Tóquio para iniciar a vida universitária, Maria ainda não se desconectou por completo da paradisíaca cidade litorânea na península de Izu, onde, desde pequena, crescera na companhia das primas Yoko e Tsugumi. Dona de beleza hipnótica, Tsugumi padece de uma doença crônica, que a mantém em permanente risco de vida. A saúde debilitada, no entanto, não inibe uma personalidade despótica e cruel: a delicadeza é algo que passa longe de seu repertório de virtudes.

 

6 – Xinran – As boas mulheres da China – Xinran (China)

Sinopse: Entre 1989 e 1997, a jornalista Xinran entrevistou mulheres de diferentes idades e condições sociais, a fim de compreender a condição feminina na China moderna. Seu programa de rádio, Palavras na brisa noturna, discutia questões sobre as quais poucos ousavam falar, como vida íntima, violência familiar, opressão e homossexualismo.De forma cautelosa e paciente, Xinran colheu inúmeros relatos de mulheres em que predomina a memória da humilhação e do abandono: estupros, casamentos forçados, desilusões amorosas, miséria e preconceito. Quando Xinran começou suas entrevistas, o peso de tradições antigas e as décadas de totalitarismo político e repressão sexual tornavam muito difícil o acesso à intimidade da mulher chinesa.

Africanas

1 – A mulher pés descalços – Scholastique Mukasonga (Ruanda)

Sinopse: “A mulher de pés descalços” trata de maneira pungente dos conflitos enfrentados pelas mulheres na Ruanda das lutas fratricidas entre as etnias Tutsi e Hutu, que culminaram com o ominoso genocídio praticado pelos hutus em 1994. Naquele momento, Scholastique Mukasonga, que é da etnia tutsi, já estava radicada na França, e viu à distância sua família ser dizimada. Escritora e ativista da diáspora negra, ela toma para si o chamamento para dar voz à dor e à perda, principalmente de sua mãe Stefania, cuja memória é homenageada em “A mulher de pés descalços”.

 

2 – Pomar das Almas Perdidas – Nadifa Mohamed (Somália)

Sinopse: Hargeisa, segunda maior cidade da Somália, 1987. A ditadura militar que está no poder faz demonstrações de força, mas o vento que sopra do deserto traz os rumores de uma revolução, e em breve, pelos olhos de três mulheres, vamos assistir ao mergulho do país em uma sangrenta guerra civil. Aos 9 anos, atraída pela promessa de ganhar seu primeiro par de sapatos, a menina Deqo deixa o campo de refugiados onde nascera. Em circunstâncias dramáticas, conhece Kawsar, uma viúva que logo em seguida é presa e espancada por Filsan, uma jovem soldado que deixara a capital para reprimir a rebelião que crescia no norte. Intimista, singelo e poético, O pomar das almas perdidas nos lembra de que a vida sempre continua, apesar do caos e do sofrimento.

 

3 – A caminho de casa – Yaa Gyasi (Gana)

Sinopse: Com uma narrativa poderosa e envolvente que começa no século XVIII, numa tribo africana, e vai até os Estados Unidos dos dias de hoje, Yaa mostra as consequências do comércio de escravos dos dois lados do Atlântico ao acompanhar a trajetória de duas meias-irmãs e das gerações seguintes dessa linhagem separada pela escravidão. Uma concisa e ambiciosa saga familiar que cobre sete gerações de uma família partida. Percorrendo desde as guerras tribais em Gana até a escravidão e a Guerra Civil nos Estados Unidos, passando pelo trabalho de prisioneiros nas minas de carvão e a grande migração afro-americana, das fazendas do Mississípi às ruas do Harlem no século XX, Yaa Gyasi compôs uma obra-prima panorâmica

4 – Precisamos de Novos Nomes – Noviolet Bulawayo (Zimbábue)

Sinopse: Darling, Bastard, Chipo, Godknows, Sbho e Stina, crianças que a cada dia tentam fugir de Paraíso, o aglomerado de barracos de zinco onde elas e suas famílias vivem desde que suas antigas casas foram demolidas violentamente a mando do governo. Precisamos de novos nomes é um romance de formação que acompanha a vida da protagonista Darling, uma menina que sonha em viver na América. Ao mesmo tempo que precisa enfrentar as novidades da adolescência e da vida adulta que chega, ela terá de se adaptar a uma terra onde sempre será estrangeira.

 

5 – Aqui estão os sonhadores – Imbolo Mbue (Camarões)

Sinopse: Uma família de imigrantes camaroneses com um filho pequeno que larga todo o mundo que conhecia para viver o sonho americano. Um casal novaiorquino que vive uma existência de aparências, cercado por todo o luxo que os rendimentos de um executivo de um gigante do mercado financeiro podem comprar. Quando as vidas dos Jonga e dos Edwards se cruzam quase que por acaso, eles não fazem ideia que, apesar de todas as diferenças e desigualdades que os separam, as mudanças recentes na economia mundial e a grandiosidade das relações humanas mostrarão que os laços que os unem podem ser muito mais profundos do que jamais imaginaram.

6 – Esse Cabelo: a tragicomédia de um cabelo crespo que cruza fronteiras – Djaimilia Pereira (Angola)

Sinopse: Este livro fala de racismo, feminismo e identidade. Esse Cabelo narra as aventuras de um cabelo crespo – curto, comprido, amado, odiado, que se embrenha por memórias e histórias num convite ao leitor a desembaraçar todos os nós. Cabelo e escrita, identidade e ação. Da raiz às pontas, estamos assistindo também à narrativa da relação entre vários continentes e a uma geopolítica em constante transformação.

 

7 – Sob o Olhar do Leão, Maaza Mengiste (Etiópia)

Sinopse: A trama de Sob o olhar do leão se passa na Etiópia da década de 1970, devastada pela guerra, pela fome e mergulhada em uma grave crise econômica. A autora conta a história de uma família esfacelada pelo caos social e político, fruto do golpe de estado realizado pelos militantes do Derg – junta criada por um grupo de militares marxistas adeptos à violência – contra o lendário imperador Hailé Selassié. Nesse ambiente hostil, o experiente médico Hailu luta para manter as bases de sua família firmes enquanto vê a saúde de sua esposa, acometida por uma grave doença, piorar. O golpe militar terá efeitos diferentes em seus filhos. Pai e filhos serão marcados, definitivamente, pela violência de um regime autoritário e pelas dificuldades do convívio em família. As atrocidades de um período turbulento da história etíope, somadas à complexa teia de relações humanas diante da violência e da perda, são magistralmente exploradas e. Um relato corajoso, feito de poderosos e anônimos, verdades e mentiras, realidade e ficção.

 

Pilar Bu (Ao sul do equador, 1983) é poeta, leoa, sereia e mãe felina de 4 gatos. Triplo-fogo do zodíaco, é autora de Bruxisma (2019: Urutau) e Ultraviolenta (2017: Kotter), contribuiu em revistas eletrônicas e antologias. É mediadora do clube de leitura Leia Mulheres Osasco, fundadora e ex-mediadora do Leia Mulheres Goiânia. Doutoranda em Teoria Literária na Unicamp. Acredita na força do superlativo e na troca de pele da serpente.

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