Suburbano Convicto: há 11 anos reunindo a literatura marginal e periférica

Suburbano Convicto: há 11 anos reunindo a literatura marginal e periférica

Na Livraria Suburbano Convicto, Alessandro Buzo reúne não apenas um acervo, mas autores vivos semanalmente para trocar poesia 

No bairro do Bixiga, área de grande concentração de imigrantes e descendentes de italianos em São Paulo (SP), emerge a primeira livraria especializada em periferia do país, a Suburbano Convicto. Depois de alguns anos instalada no bairro do Itaim Paulista, na zona leste da capital, o proprietário, Alessandro Buzo, resolveu levá-la para uma região mais central e há 11 anos ela existe no segundo andar de um prédio na Rua 13 de Maio.

Assim, semanalmente, ocorre o Sarau Suburbano, há 8 anos, no espaço que vende livros, discos, camisetas e conta ainda com uma bombonière, sem falar do carinho dos proprietários com os frequentadores.  Atualmente, Alessandro Buzo já perdeu as contas de quantas edições realizou. “São muitos anos como sarau semanal, edições especiais em vários espaços e há três anos edições mensais no litoral norte de SP também”, contou.

Fato é que dificilmente um autor de literatura marginal/periférica de São Paulo ou outros estados anida não tenha passado pela Livraria Suburbano Convicto, que conta com um vasto acervo, desde os livros com edições e tiragens limitadas, até os mais recentes lançamentos, que são sempre negociados diretamente entre os autores e o vendedor.

Para exemplificar a grandiosidade do empreendimento – que fisicamente ocupa apenas uma sala, mas congrega muitos corações – entrevistamos o Alessandro Buzo. Confira:

Margens: Dá pra citar alguns dos principais nomes que já passaram pelo sarau?
Buzo: Sem cometer alguma injustiça é difícil, mas destaco os dois saraus que mais tiveram nome na lista pra participar, o lançamento do CD Solo do Edi Rock, foram 59 nomes na lista e o lançamento do CD “Nó na Orelha” do Criolo, com 57 participações, mas teve vários grandes momentos, com Marcelino Freire, Ferrez, Emicida, Rashid e quase 100% dos autores já publicados (ou não), gente que venho de outros estados como você Jéssica Balbino de Poços de Caldas, cariocas como Geovani Martins, Ecio Salles, Jessé Andarilho, Anderson Quack e outros, Carlos Augusto de Goiais e por ai vai.. são muito momentos nesses anos todos.
Margens: Qual a importância de seguir realizando saraus no espaço, ainda que com pouco público?
Buzo: Pouco público é uma coisa mais recente, com a crise que não passa, povo anda sem grana pra circular, querendo ou não admitir, os Slans também esvaziaram os saraus, mas está reagindo, pelo menos o Sarau Suburbano, os últimos foram muito bons, no nosso Blog sempre tem a cobertura: www.sarausuburbano.blogspot.com
Margens: Por que a segunda-feira foi escolhida pra ser o dia do Sarau Suburbano?
Buzo: Já foi de terça-feira, mas desde que eu passei a morar no litoral norte, ficou melhor de me organizar na segunda, porque quando tenho evento em São Paulo no final de semana, já fico pra segunda. Principal motivo foi esse.
Margens: Para além do sarau, você mantém a livraria. Como é esse processo de ter uma livraria de literatura periférica/marginal em um país tudo como um que não lê?
Buzo: Dificuldade constante pra manter o aluguel em dia, ainda mais nos últimos dois, três anos. Quando eu trabalhava na TV, não me importava muito se algum mês a livraria ficasse no vermelho, mas agora, pra mim também não está fácil, então preciso pelo menos se pagar, ficar no vermelho, não tem de onde tirar, tem mês bons, outros ruins e outros péssimos. Mas até aqui, resistimos, não
sei até quando.
Margens: Como você definiria o Sarau Suburbano em uma palavra?
BuzoEm uma palavra é difícil, seria talvez “Resistência”.
Costumo dizer que o Sarau Suburbano é o time que só tem Camisa 10.
Pra saber a programação: www.agendabuzo.blogspot.com

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