Um estilo de vida literário. Que tal?

Um estilo de vida literário. Que tal?

Livros na estante são apenas depósitos de poeira ou um fundo cult para fotos de instagram, diriam os mais radicais. Eu, radical, concordo. É importante, na primeira crônica desse espaço, deixar claro as nossas intenções: minhas e suas. Eu acredito no livro fora de si, vivo, perambulando. E você, que tipo de literatura crê?

Encaro o livro como ponto de contato inicial entre ideias, realidades, pessoas e universos. O livro não basta em si mesmo. Ele é tão potente, ou deveria ser, que sua história é apenas ponto de partida para uma construção que se desenvolve comunitariamente. É justo o que se projeta para além do livro, que tem força para fazer da literatura um estilo de vida. Esse é o lugar que deveríamos olhar com mais carinho.

O livro não basta em si mesmo.

Um exemplo de sucesso que extrapolou a si enquanto conteúdo e foi capaz de se consolidar no cotidiano das pessoas (no mundo todo) é Star Wars. Não se projeta star wars em cada esquina, de hora em hora, nem nas escolas se ensina como ser um Jedi. Nem por isso geração após geração deixou de cultuar os personagens, as tramas, a estética da produção. Contudo, o sucesso e a consolidação dos filmes de George Lucas não se deram pela obra em si, mas pelas sinapses que todos os seus amantes fizeram / fazem. Mesmo quem nunca viu os filmes da franquia sabe, sem sombra de dúvidas, o que é o lado negro da força. Ou seja, a obra se tornou um apêndice do universo. O conteúdo inicial foi o ponto de partida para a construção desse fenômeno que se ancorou em muitos sentidos no desenvolvimento de produtos e conteúdos paralelos para se tornar o que é.

Numa busca rápida pelo Google, encontrei mais de 500 camisetas diferentes sobre o universo, um sem-número de resenhas sobre cada filme, mais de 50 jogos além de brinquedos, fantasias e outros produtos capazes de inserir Star Wars em nosso dia a dia, cotidianamente.

Posso dizer, sem medo, que esse filme só continua no imaginário de todos por conta dessa construção coletiva que se dá através de seus fãs. Esse é o ponto. Sem os fãs gerando trocas simbólicas constantes, o conteúdo (seja filme, livro, música) cai no triste cemitério do esquecimento e vira apenas um pedaço de nada, enfeitando tristes estantes desorganizadas.

Eu, como disse, acredito no livro vivo, e para dar-lhes vida precisamos de fãs. Amantes que sigam para além do livro, para além do fim. Pessoas que sejam capazes de ler e levar a literatura para o seu cotidiano, para o seu dia a dia. Uma caneca executa essa função, um papel de parede, um verso rabiscado no quarto, uma resenha, um qualquer coisa que mostre o amor pela literatura. Sugiro que todos tenham um poeta do peito (no peito), um livro do coração (e fale sobre isso), promova um autor, celebre seu aniversário, fale seus versos, conheça sua biografia. Parafraseando o poeta, a literatura não quer adeptos, quer amantes.

Eu, como disse, acredito no livro vivo

Suburbano nato, Gledson Vinícius é o Co-Fundador da Poeme-se, empresa-verso que nasceu para colocar a poesia em movimento. Também é pai de Olívia, publicitário por formação, pós-graduado em administração Pública, botafoguense por convicção e amante dos versos por necessidade.

1 comentário


  1. Ótima reflexão! A indústria do cinema pode ser uma inspiração para quem trabalha/divulga literatura nesse sentido.

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