Amores Urbanos

Amores Urbanos

por Brisa de Souza* 

Hoje eu tô de TPM então, após semanas sem aparecer, cá estou com a leveza de quem sangra pra recomendar tretas.
Amores Urbanos é aquele filme que a gente descobre por acaso, acha a história clichê e previsível mas não consegue parar de assistir & ainda carrega uma música no fim do filme. E detalhe pras sapatão: a Renata Gaspar interpreta a Micaela (que faz par com a Ana Cañas) e é realmente um sexy appeal – lembra um pouco | pouco rs| a Shane do The L Word (socorro).

Comédia dramática, como a vida de todo brasileiro LGBT-simpatizante, não é um filme da comunidade porém não deixa de ser. A representação das várias formas de amor e amar segue no roteiro com vários white people problem, mas que não deixam de ser problem e, pasmem, você vai se identificar. Seja com o namorado da Julia (Maria Laura) deixando-a a ver navios no começo do filme e sua crise dos trinta anos, profissão-pressão-família, seja no relacionamento lésbico abusivo de quem se assume e quem não se assume-reciprocidade-quem são seus amigos-cadê os meus, da pseudo liberdade ou nas dores e traumas que assombram as diversões e impulsos do Diego (Thiago Petit) – “até quando dura a juventude?”.

A trilha sonora tem a música chiclete também de Thiago Petit, ROMEO, que me devasta até hoje apesar de eu ter assistido o longa alguns anos atrás. O roteiro é vago mas não deixa de tocar feridas. O desenho dos protagonistas é singular apesar de batido. A fotografia é simples mas não deixa de ser bonita… E ainda assim, eu já assisti ao longa umas cinco vezes!

Começou a ser gravado em 2014 mas foi lançado em março de 2016; dirigido por Vera Egito (que tem bons filmes no currículo), o filme teve sua estreia internacional no 33º Festival Internacional de Cinema de Miami em 5 de março de 2016, levando o nome de “Restless Love”.

É um filme excepcional? Não, é um filme de pessoas normais para pessoas normais; mas com certeza vale a pena ser assistido.
E depois, dançado, de preferência com os amigos na sala de casa bebendo um vinho – quem não quer isso, não é!? Todo clichê tem motivo de ser clichê: é bom na medida certa.

Bom filme!

 

 * escrevo porque preciso ilustrar. fotografo porque preciso verbalizar. e produzo o processo porque gosto. mãe do Bento, lgbt, afro-indígena, anarquista, paratiense, autora dos zines “POR.TRAI.T., lado A”, “2B” e “Dois Peitos”. agradeço à vida pelas matriarcas que me criaram: nada seria desfrutável se não fosse por elas. agradeço à vida pelo que criei: nada seria continuável sem o parto. @brisadesouza_

 

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