Gordofobia em tempos de crise

Gordofobia em tempos de crise

por Eme Barbassa* 

Você pode até estar pensando, por quê falar sobre gordofobia numa crise como essa que estamos vivendo?

 É coronavírus, são milhões de pessoas contaminadas no mundo, quase 400 mil mortes em todo o planeta, mais de 20 mil só aqui no nosso pais, o desemprego aumentando, a fome aumentando, Bolsonaro dominando as pautas seja nos noticiários ou nas redes sociais. 

Então por que escolher falar sobre gordofobia?

Por que eu sou uma pessoa gorda!

Acho que dá pra ver, né?

Por que isso me atravessa. 

E também por que a gordofobia é uma opressão estrutural de nossa sociedade. Sociedade essa que funciona e é pensada para corpos magros e a total exclusão de corpos divergentes. 

E em tempos de crise como essa que estamos vivendo, isso fica ainda mais evidente e difícil!

Não acredita? Quer ver?

Além do medo de ser contaminado por esse vírus, temos também um outro, que sequer passa pela cabeça de pessoas magras. 

Será que teremos equipamentos públicos ou particulares adequados aos nossos corpos? 

Será que vamos caber na cadeira de espera do hospital? Ou então na maca? 

Ou outro ainda.

Como será o comportamento dos médicos diante de um corpo que a grande mídia retrata como desleixado, preguiçoso e improdutivo?

Qual será a escolha dos médicos de quem merece viver diante dos corpos de uma pessoa magra e outra gorda? 

Será que mereceremos viver?

E se morrermos será que teremos um caixão do nosso tamanho?

E quem irá nos levar já que parentes e amigos são vetados em enterros com suspeita de morte por Covid-19?

E quanto as covas cavadas previamente, comportaram nossos corpos? 

E se dermos “sorte” de não sermos contaminadas, como sobreviver à tão temida crise financeira? 

Já que pessoas gordas são menos propensas a ser contratadas e mais propensas a ser demitidas e quanto contratadas e não demitidas, ganham menos que as pessoas que não são gordas.

Então, o que te parece? Falar sobre gordofobia em tempos de crise é realmente fútil pra você? 

Isso por que nem começamos a falar da solidão das pessoas gordas no meio de pandemia como essa? 

Se tá difícil para você com o corpo padrãozinho desejado nos aplicativos de pegação, imagina pra nós, pessoas gordas! 

E isso não é vitimismo?

Eu não tô aqui pra chorar pitangas, não!

Eu tô aqui pra dialogar, para falar sobre o nosso lado, pra fazer você enxergar a gente como humanas. Nada além de humanas. 

Sim. Por que existe e sempre existiu um processo de desumanização das pessoas gordas. E isso tem que mudar. E só vai mudar quando a gente começar a falar sobre isso.

E é isso que quero fazer aqui. 

E pra isso eu conto com o apoio de vocês, que permaneçam assistindo essa live até o fim. Que você compartilhe essa live com alguém que você considere que seja importante ouvir o que a gente vai falar aqui. Que você se posicione ao ouvir uma piadinha ou ofensa gordofóbica. Que você não se cale. Que você siga, curta e compartilhe o conteúdo sobretudo de mulheres de mulheres gordas, sistematicamente mais oprimidas. 

Feito esse desabafo, súplica, prólogo, eu quero apresentar a vocês, minha convidada dessa live.

Clique aqui para assistir a live

 

  • Eme Barbassa é atriz, diretora, dramaturga e professora de teatro.

 

Ilustração: Cécile Dourmeau

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