Raquel de Oliveira, ex-chefe do tráfico na Rocinha, fala sobre livro ‘A número um’ no Lá na Laje

Raquel de Oliveira, ex-chefe do tráfico na Rocinha, fala sobre livro 'A número um' no Lá na Laje

Encontro ocorre na próxima quarta-feira (31 de julho) às 19h30 com entrada gratuita no Sesc Pompeia 

Com uma história de vida que pode ser um roteiro de filme – e está se tornando – ou enredo de um livro – já publicado – a escritora Raquel de Oliveira, ex-chefe do tráfico de drogas na favela da Rocinha fala sobre a obra “A Número Um” na mesa “Em ditaduras, nossos novos nomes”, durante o Lá na Laje no Sesc Pompeia, na próxima quarta-feira (31) às 19h30. A entrada é gratuita e a mediação, bem como a curadoria, é da jornalista Jéssica Balbino.

Aos seis anos, Raquel experimentou a primeira droga, cola de sapateiro, para inibir a fome. Aos nove anos, foi vendida pela própria família ao jogo do bicho. Aos 11, ganho de presente a primeira arma. Anos depois, tornou-se a primeira dama do crime ao lado do namorado, Naldo, que morreu após ser baleado pela polícia na década de 1980. Em seguida, assumiu o comando da venda de drogas e só deixou o crime quando decidiu libertar-se também do vício. Aos 44 anos, iniciou a faculdade de pedagogia. Hoje, com 58, comemora o primeiro romance – que é biográfico – pensa em fazer mestrado, curte o netinho e escreve mais uma obra.

De acordo com ela, escrever foi a fuga para a vida no crime. Após iniciar um tratamento para o vício em drogas, descobriu a poesia e em seguida, conseguiu completar os estudos.“O livro é a minha história  e contá-la foi a forma de encontrar prazer, substituir o vício em drogas, me anestesiar de algum modo“, disse.

Em breve, a história contada pela autora no livro “A Número Um” vai parar nas telonas, roteirizada pela cineasta Ana Luiza Beraba, da Esfera Filmes.

Conheça as convidadas desta edição

Raquel De Oliveira é escritora, pedagoga e vive no Rio de Janeiro. Na própria história de vida, foi vendida para o jogo do bicho aos 9 anos, teve de assumir o comando do tráfico na maior favela do país após a morte do namorado Naldo, o traficante Ednaldo de Sousa. Suas memórias estão no livro “A Número Um”, baseado no que viu e viveu. Atualmente, prepara o segundo livro e pretende relançar um de poesias que escreveu quando se libertava do vício em drogas.

Mediação
Jéssica Balbino é jornalista e produtora cultural. Pesquisadora, mestre em comunicação pela Unicamp e diretora do documentário ‘Pelas Margens: vozes femininas na literatura periférica’. Curadora de eventos literários no Brasil, é editora do blog Margens e autora dos livros “Traficando Conhecimento” e “Hip-Hop: A Cultura Marginal”.

Sobre o Lá na Laje

Além deste tema, se entrelaçam outras conversa sobre ditaduras, violência, voz, corpos, religião, temas LGBTQi+, afeto, ancestralidade, entre outros, que ocorrerão em encontros que vão até novembro. Para os próximos encontros estão confirmados nomes como Mirta Portilla (Cuba),  Porsha Olayiwola (EUA), Igiaba Scego (Itália), Futhi Ntshingila (África do Sul) e as brasileiras Bell Puã (Recife), Fabiana Lima (Bahia), Cláudia Canto (São Paulo) Eliane Potiguara (Rio de Janeiro) e Dona Jacira (São Paulo).

A ideia é que, por meio desses encontros, também aconteça a difusão de novas vozes na literatura. “Estou muito feliz em fazer esta segunda etapa do projeto neste ano. Estamos num momento em que precisamos discutir sobre os temas propostos e promover o intercâmbio entre autoras de diferentes partes, com diferentes tipos de produção é uma forma de expandir o olhar para além do que estamos habituados”, disse Jéssica Balbino.

 

Serviço
Lá na Laje: em ditaduras, nossos novos nomes
31 de julho, quarta-feira às 19h30
Área de Convivência do Sesc Pompeia
Grátis. Classificação indicativa: livre.
Acessibilidade em Libras.

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