Ciclo de debates aborda o papel da mulher na poesia, em São Paulo

Ciclo de debates aborda o papel da mulher na poesia, em São Paulo

Ciclo de debates procura visibilizar o papel das mulheres criadoras na poesia, nas artes e nas ciências exatas, em São Paulo

Para quê serve a poesia, afinal? As artes são necessárias em tempos de crise? A arte é necessária? São perguntas que nunca se calam. Talvez uma das tentativas mais relevantes de responder à esses anseios tenha sido feita pelo crítico literário Antônio Cândido, no artigo “Direito à Literatura”, da década de 1970, no qual afirma que a literatura é o sonho acordado das civilizações. Segundo o autor, “assim como não é possível haver equilíbrio psíquico sem o sonho durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a literatura. (…) Ela é fator indispensável de humanização e, sendo assim, confirma o homem na sua humanidade”.

A preferência pelo signo “homem” ao invés de “humanidade”, “indivíduo” ou qualquer palavra que seja menos marcada pelo gênero masculino é um dos recortes necessários ao se falar em literatura, conhecimento e artes. Há tempos iniciativas como “Mulheres Que Escrevem”, o movimento mundial #LeiaMulheres, de 2014 ou o próprio “Lá na Laje”, do Margens, chamam a atenção para a invisibilidade da mulher na literatura, buscando ressignificar essa voz em tempos turbulentos.  

Foi com essa preocupação que a coordenadora Coral Michelin, do Centro Ruth Cardoso, elaborou o ciclo “O Lugar de Fala da Mulher”. A próxima edição abordará a poesia feita por mulheres, sob o título “Poetizando o Mundo”. O ciclo de três encontros destaca o papel da mulher na formação do conhecimento, desde a construção das narrativas no jornalismo, na poesia e também nas ciências exatas. A coordenadora que realiza ciclos de palestras, seminários e debates na instituição comenta que “é muito mais difícil conseguir recomendações de mulheres para convidar. Em cima disso, então, surgiu o ciclo, em que buscamos apenas mulheres para falarem sobre suas experiências e suas contribuições dentro de cada área”, comenta.

O próximo encontro, acontecerá na terça-feira, dia 25/06, a partir das 19h, no próprio Centro Ruth Cardoso, em São Paulo. O encontro gratuito terá a participação de três novas poetas, participantes do Curso Livre de Preparação do Escritor (CLIPE), na Casa das Rosas. Entre elas estão Isabela Sancho, Maya Viana e Tassyla Queiroga.

 

Sobre a importância do evento, Coral Michelin destaca dois pontos relevantes. O primeiro é a visibilidade. “É como a Marta usando a chuteira preta com o símbolo da igualdade, só que na microescala do que está ao nosso alcance, isto é, não somos uma estrela como ela, não vamos mostrar em cadeia (inter)nacional, mas com certeza faremos o que está em nosso alcance para fomentar essa tão necessária igualdade de gêneros”, comenta. “Em segundo lugar, um evento literário, por si só, já é uma necessidade, nos tempos que vivemos. Um evento literário, artístico (poesia é arte, afinal), configura-se, hoje, quase como uma trincheira de resistência, da cultura, da educação, da palavra, das ideias”.

Logo após o debate, o microfone estará aberto para o sarau entre convidadas e público.
Conheça o trabalho das autoras convidadas aqui:

Isabela Sancho
Nasceu em Campinas, em 1989. Integra o corpo de poetas do portal Fazia Poesia e segue o Curso Livre de Preparação do Escritor na Casa das Rosas. É autora e ilustradora dos livros de poemas “As flores se recusam” (Editora Patuá, 2018 – menção honrosa no Prêmio Literário Glória de Sant’Anna 2019, Portugal) e “A depressão tem sete andares e um elevador” (Editora Penalux, 2019). Ainda em 2019, terá sua primeira plaquete publicada pela Editora Primata e seu terceiro livro pela Editora Urutau.

Leia mais: http://ruidomanifesto.org/quatro-poemas-de-isabela-sancho/

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Maya Viana
É poeta, natural de Mauá/SP, estudante de Letras e escritora desde o colégio. Foi crítica colaboradora do blog de cinema Cinéfilo em Série e integra o Curso Livre de Preparação do Escritor (CLIPE) na Casa das Rosas. Está lançando seu primeiro livro “A Beleza da Falha” pela Editora Multifoco, ainda em 2019.

Bradado
Eu sou o lobo, o louco
Que uiva e te arranha por dentro
Eu sou o lobo, o sopro
Que uiva e te esfria no vento
Eu sou o lobo, o soco
Que uiva e te arranca o choro
Eu sou o lobo, o dono
Que uiva e te chama de tolo
Eu sou o lobo rouco e tonto
Que uiva pra te lembrar da fera
que surta com essa conduta
De medo e miséria!

Leia mais: http://ruidomanifesto.org/tres-poemas-de-monstra-poeta/

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Tassyla Queiroga 
Poeta paraibana. Viajante inquieta, atualmente mora em São Paulo e participa do Curso Livre de Preparação de Escritores da Casa das Rosas. Tem poemas publicados nas Revistas Garupa, Gueto e Ruído Manifesto. O primeiro livro de poemas sobre a América latina foi contemplado pelo Edital de Publicação de Autores Estreantes da Prefeitura de São Paulo, e será lançado em agosto pelas Edições Macondo.

minha última casa
era uma carta
sobre distâncias
escrita nas linhas retas do planalto
um caderno com páginas em branco
e o mapa com rota de fuga
colado na última folha
como os pombos-correios
que levam mensagens
para a Idade Média
o primeiro vídeo de Matilde Campilho
era um passeio de bicicleta
no verão de Copacabana
o último disco de Leonard Cohen
era um bilhete de despedida
e os rabiscos de Basquiat eram
um pedido de socorro
aos prédios de Manhattan.

Leia mais: http://ruidomanifesto.org/quatro-poemas-de-tassyla-queiroga/

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Serviço:
Ciclo “O Lugar de Fala da Mulher – Poetizando o Mundo”
Bate papo com Isabela Sancho, Maya Viana, Tassyla Queiroga. Com Sarau e microfone aberto.
Onde: Centro Ruth Cardoso – R. Pamplona, 1005 – Edifício Ruth Cardoso – São Paulo
Quando: dia 25/06, as 19h
Quanto: Grátis
Inscrições: http://bit.ly/2WUSvf4

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