Timidez, o casal de desconhecidos, câmeras analógicas e o amor captado num disparo

“Uma das minhas maiores dificuldades é conversar com as pessoas, até então desconhecidas, que fotografo”

Esta é minha estreia na coluna Disparo. Optei por uma imagem bastante significativa na minha trajetória de registros nas ruas: ela envolve personagens que observo a certo tempo e uma das minhas maiores dificuldades que é conversar com as pessoas, até então desconhecidas, que fotografo. Raquel e Vagner estão sempre pelo centro de Campinas (SP), já os vi inúmeras vezes e, até então, nunca havíamos conversado. O cuidado com que Vagner empurra a cadeira da Raquel sempre chamou minha atenção.

Nesse dia estava sentada com uma amiga numa feira de artesanato observando e fotografando um músico de rua quando o casal chegou. Vagner ficou um bom tempo observando os equipamentos. Me aproximei e começamos a conversar sobre a câmera analógica que eu carregava, Raquel se juntou a nós e contou da ocasião em que quebrou uma daquelas da mãe quando era pequena. O papo fluiu, Vagner disse que também era músico e que tocava bateria. Pedi permissão para fotografá-los, eles assentiram e sorriram. Perguntei se queriam ver mas Raquel se recusou a ver a foto no visor, disse que não gosta de ver fotos, pra ela não tem muito valor, prefere se lembrar das cenas e imagens. Disse que estava com fome, não tinha tomado nem café da manhã, e foram embora.

Concordo com Raquel que muito do que importa não cabe em uma foto e fica guardado no que sentimos e na nossa cabeça. Mas fico feliz e grata quando consigo congelar parte de uma experiência tão rica como essa numa imagem.

 

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