Guarda Civil Metropolitana reprime ‘Slam da Resistência’ na Roosevelt em SP

ponderações sobre o slam resistência e algo mais

por Luiza Romão*

talvez hoje, em são paulo, a literatura (através dos slams e saraus) seja um dos movimentos capazes de agregar e mobilizar mais pessoas. estamos nos bares, nas praças, nos terminais e nos trens, nas quebras e nos centros, nas noites e nos amanhãs, com versos engajados, ácidos, sem papas nas línguas. atacamos o status quo, as desigualdades de gênero, a truculência policial e o racismo, com a fúria de um jogador que aos 48 do segundo tempo vê a chance de virar o jogo e revidar quinhentos anos de exploração. nossas palavras são afiadas com o suor de quem cruza a cidade para declamar três estrofes. com a garra de quem sabe que a disputa também é ideológica e que o artista tem um compromisso inegável com seu tempo histórico.

era de esperar que isso incomodasse.

ainda mais numa gestão que vêm perseguindo e criminalizando os artistas de ruas, aqueles que rasgam a malha urbana privilegiada com seus pixos, rasuras e dizeres.
–  na gestão dória, iaco foi um dos primeiros: encaminhado para o deic com acusação de formação de quadrilha.
– ano passado em santos, tivemos a trupe olho de rua com um de seus atores detido pela polícia militar
– semanas atrás, o grupo esparrama foi impedido de se apresentar no minhocão, através de liminares burocráticas

hoje, foi a vez do slam resistência

esse é o terceiro ano do resistência, cujas batalhas têm se espraiado por toda a américa latina (através de videos de gigantesco alcance – um, dois milhões de visualizações) e juntado 200, 300, 400 pessoas numa praça em plena segunda-feira à noite para ouvir poesia. quem diria, hein? que no país dos indices gigantescos de analfabetismo funcional, a poesia pudesse agregar tantos cidadão. inclusive, numa forma circular que lembra a ágora grega, os theatrums antigos (espaços no qual a cidade discutia a si própria, coletivamente, através da mediação artística).

Sem microfones, Slam da Resistência seguiu, acompanhado da Polícia Militar

o que passamos hoje [ontem] tem nome e chama-se intimidação. a primeira abordagem foi às 20h30 e depois as 22h30, resultando no final antecipado do evento. não teve tiros e nem cacetetes (ainda), mas a simples presença da farda indicava: se não concordarem, vai ter retaliação. mais do que isso: daqui pra frente vai ser diferente, quem não seguir a regra do jogo, tá fora.
importante ressaltar que até a data de hoje, o slam resistência (e tantos outros) nunca tinha tido problemas com a policia.

resistimos e fizemos a poesia valer. pessoalmente, to com o peito pleno, e os seios e anseios mais livres do que nunca (entendedores entenderão rs). se o jogo é duro, meus punhos tão calejados e meu útero, preparado.

que venham os próximos slams!!! como diria castro alves (bem rememorado hoje), A PRAÇA É DO POVO, COMO O CÉU É DO CONDOR!

* Luiza Romão é atriz, diretora teatral, poeta e slammer. 

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